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Fotos
200 km em dois dias, pela estrada da Limeira.
28/11/2009 - CPM
Partimos da praça das Nações as 6:20 horas, após um breve atraso de 40 minutos, fomos em direção a avenida das Torres. O tempo estava fechado e após cruzarmos o viaduto do contorno leste, passou a garoar intermitentemente.
Ao estudar o percurso em casa consultando os mapas, teríamos de pedalar por 93 km até Garuva. De Garuva a BR 277 pela estradinha, seriam 68 km e até Morretes mais 15 km. Logisticamente, um pouso próximo ao rio Canavieiras era necessário para, no dia seguinte, rumarmos até a estação ferroviária de Morretes, para o retorno a Curitiba.
Nos alforges levamos barraca, cada um levou a sua, saco de dormir, isolante, muda de roupa, calçado leve, anorak, lanche para dia e meio, água, 2,5 litros, itens de higiene pessoal, medicamentos e miudezas ( câmara fotográfica, pilhas, lanterna de cabeça, GPS, protetor solar, repelente e óculos de sol, e etc).
Lentamente os quilômetros foram se somando no marcador do ciclo computador. Aos primeiros 60 km de viagem, próximo ao acesso a Tijucas do Sul, a garoa era permanente e as vezes se alternava com uma chuva fina. Asfalto molhado, nós molhados, as bikes pesadas. Por vezes o deslocamento de ar pela passagem de carretas ao meu lado, balançava a bike.
Há alguns quilômetros eu lutava com uns princípios de cãimbra nas coxas e nos bíceps, pensava, - eu com quase 55 anos, não estou mais em idade prá isso não gente-. Chacoalhava a mão para aliviar o formigamento, pela pressão no guidão. Mudava a posição das mãos. Era como, pelas condições da viagem, um passeio solitário, mas a cabeça estava a “mil” . Conferia pelo espelho retrovisor a distância do Nelsom, se estava tudo bem e seguia. Com 70 km passamos pelo Matulão, acesso ao Araçatuba, eram 09:45 horas. Daí, por mais cinco trechos de descidas, seguidas de longas subidas, com 85 km rodados, para então pegar a longa descida até Santa Catarina (divisas de Garuva). Algo na quilometragem estava errado.
Em Garuva chegamos as 11:20 horas com 103 quilômetros rodados. Começou a chover forte. Resolvemos almoçar. Um pneu furou. As 12:30 horas tomamos o rumo na estrada da Limeira em direção ao rio Cubatão, pedalamos em lama e saibro solto por 30 km. Paramos para fotos e bate papo com o pessoal local e visitantes, como nós, durante o percurso. A chuva dava trégua com mais freqüência e isso ia-nos animando, afinal, concluímos que viajar ali, na chuva, não era tão mal, pois naturalmente fazia calor. Sentíamos que devido a chuva, havia areia nos sistemas de câmbios e nos freios e que isso comprometia odesempenho de troca de marchas e solicitava muito das sapatas de freio.
Interessante observar que após o almoço e a saída pela estrada de terra, talvez devido ao breve descanso e alimentação, sentia-me renovado, sem cansaço e dores. Estava tranquilo e sem tensão das primeiras horas.
Passamos pela ponte do rio Cubatão as 15:05 horas. Abastecemo-nos de água pelo caminho e seguimos. Estávamos secos, um pouco suados e respingados de lama. Teríamos mais 18 km até a Limeira, nas margens do rio Canavieiras. Esse trecho foi um pouco mais “pesado”, que o anterior. Rios cruzavam a estrada, devido a chuva de cedo, que serviu bem para “lavar” a corrente e câmbios, removendo boa parte da areia. Problemas com perdas nos bagageiros e queda dos alforjes, limitou a eficiência do nosso deslocamento.
As 16:55 horas chegamos ao rio Canavieiras. Mais um pneu furado. Nos instalamos ao lado da venda de dona Olinda, há menos de trinta metros do rio. O local dispõe de banheiros, chuveiros, gramado, banho de rio, preparam lanches, tem refrigerantes, água mineral, destilados e a preciosa, indispensável e insubstituível cerveja. Se avisar com antecedência eles providenciam a carne para o churras.
Descansamos e dormi até razoavelmente bem. Pela manhã, 6:00 horas tomamos café. Novo pneu furado.
As 7:50 horas partimos. Esse trecho, de 25 quilômetros até a BR 277, é talvez o mais bonito do trajeto por ser mais isolado, com muita mata, íngreme e com muitos rios cristalinos.
Os primeiros 6 km são de transição, porém ainda planos. Os 5 km seguintes são de leve inclinação constante e os 3,5 km até o passo da Serrinha apresentam trechos de inclinação mais acentuada, porém nada além de empurrar a bike 70 metros acima, seguindo de trecho pedalável.
O trecho de descida, no lado oposto é bem íngreme. São 3 km para um desnível de 370 metros. O trecho total da travessia, de Garuva a Morretes é de 85 quilômetros. Sendo de Garuva ao rio Cubatão, 30 km; do Cubatão ao rio Canavieiras, 15 km; do Canavieiras a BR 277, 25 km e; da 277 a estação Ferroviária de Morretes, 15 km.
Chegamos a estação ferroviária de Morretes as 12:30 horas. Daí foi comprar as passagens, almoçar, boa dica foi no Rota do Sol, um buffet de frutos do mar a 19 pila. Dar umas voltas pela Morretes e esperar o trem tomando uma cervejinha pra reidratar.
Em Curitiba, pedalei mais 10 km até em casa, com o espírito repleto por realizarmos uma pedalada gratificante e invejável.
Conclusões:
1 - Saindo de Curitiba de bicicleta e sem carga, mochilas no carro de apoio. E com tempo seco, dá para chegar em Garuva em 4 horas, tranquilamente.
2 – De Garuva ao Canavieiras, com carro de apoio, ou seja, sem carga nas bikes, leva-se 3,5 horas no máximo. A estrada é toda plana, nada como Guaraqueçaba / Tagaçaba.
3 – É importante uma parada estratégica em Garuva para refazer o corpo. Alimentação, descanso, alongamentos, é preciso quebrar o ritmo da pedalada. No máximo uma hora.
4 – O trecho do Canavieiras até a BR 277 tem um percurso tão íngreme quanto a travessia da serra da Santa Maria, executado por nós entre Tagaçaba / Cacatu, naquela vez, se lembram? Porém, esse tem 39 km e o do Canavieiras, 25 km.
5 – Esse percurso é muito bonito e fascinante.
José Luiz Kliemczak
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